Até um macaco pode desenhar mangá – conclusão

“Nosso sonho: dominar o Japão através do mangá! Primeiro, nossas séries deverão aparecer em todos os gêneros de todas as revistas semanais e ser votadas em 1ºlugar em todas as enquetes com os leitores! E então deverão ser publicadas como coleções graphic-novel de luxo! Depois deverão ser lançadas como anime! Seguido de produtos baseados nos personagens, o que nos deixará milionários! Além disso, gostaríamos de concorrer a um cargo público com um de nós eventualmente se tornando primeiro-ministro do Japão, e então faremos lavagem cerebral em toda a população com mangás e animes e assim dominaremos toda a nação! Esse é nosso sonho! Apenas vencedores como nós podem dominar um mundo cada-um-por-si como este!!”

Nos distantes, mágicos tempos dos anos 1980, um dos livros best-sellings no Japão foi “Estrutura e Poder: Além da Semiótica”, por Akira Asada, onde ele discutia simulacros, pós-estruturalismo, psicanálise histórica, sinais Saussurianos, a Nova Esquerda, a dessublimação da cultura pós-moderna, e outras impressionantemente sonoras e obnóxias tolices filosóficas de não graduados. Na virada do milênio, o psiquiatra Tamaki Saito e o teórico crítico Hiroki Azuma redefiniram a cultura Otaku e introduziram um tema de estudo sociológico com seus livros “Psicopatologia da Bela Garota Guerreia” e “Otakus: o Banco de Dados Animal do Japão”, respectivamente. Nesses livros podemos ver que Tsukino Usagi é uma garota fálica, que aprende sobre a fascinante história da Gainax, e toca o ícone supremo feito sob medida da indústria sexual da psicologia otaku que é Rei Ayanami. Entre esses dois fenômenos, no entanto, quase vinte anos se passaram, e os editores não gostam de vácuos. É aí que este trabalho, lançado em 1990, surge. Agora, você poderá se tornar um mangaká campeão de vendas e um fenômeno cultural, se seguir as instruções!

Procurando emprego? Reconsiderando suas opções de carreira? Então você quer ser um mangaká? Agora você também pode aprender os segredos de como até um macaco pode desenhar mangá! Aqui está a tão esperada tradução do grande best-selling que liderou a indústria de quadrinhos do Japão! Este tutorial tabajara trata-se de uma hilária paródia daqueles livros que afirmam poder te ensinar “como desenhar mangá”, com uma cativante e peculiar narrativa, detalhando a disputa entre dois desesperados trapalhões aspirantes a sabe-tudo (os autores deste livro) em sua vangloriosa busca pela técnica dos quadrinhos, fortuna e fama. Agora, até mesmo alguém sem o menor talento, um novato artisticamente precário como você, pode aprender como usar uma caneta, criar personagens, licenciar direitos de animação e produtos! Venha ser rico, famoso, e sexualmente potente além dos seus sonhos mais selvagens! Leia agora!

Quem aí já quis se tornar um mangaká levanta a mão! Não vou julgá-los, eu também já quis. E não estamos sozinhos. Por pelo menos 50 anos, desde Mangaka Zankoku Monogatari (“O Duro Conto de um Artista de Mangá”) de Shinji Nagashima, a audiência de mangá tem sido autoconsciente o bastante para devorar histórias sobre a experiência de ser um mangaká, não apenas histórias sobre shinigamis e matadores de dragões. Itsudemo wo Yume wa de Hidenori Hara, Kyo mo Ashita mo de Emura, Genshiken de Kio Shimoku… esses e muitos outros mangás dão às pessoas a vicária experiência de viver o sonho. Assim como fantasias de se tornar uma estrela do cinema, histórias sobre ser um autor de mangás são um tipo de meta-fantasia, um sonho de consumo de se tornar um criador. Tudo que você precisa é de um lápis e algumas folhas de papel – e claro, como dizem em Bakuman de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, você também precisa de uma PAIXÃO ARDENTE! Amizade, perseverança, vitória! Para ser o melhor, você precisará desenhar bem mais do que apenas 80 páginas por mês; você precisará desenhar 150 mil páginas em toda sua vida, como Osamu Tezuka. Embora desenhar mangá seja um ato visualmente desinteressante que requer passar a maior parte de seu tempo sozinho à sua mesa, a cultura do mangá está repleta de histórias selvagens e personagens fodões, sendo bem adequada para a ficcionalização. (Se você já se perguntou se mangakás podem ficar loucos de tanto trabalhar, pesquise no youtube por Kazuo Umezu).

Claro, há vários livros do tipo “como desenhar mangá”, por artistas de diversas nacionalidades, de nível artístico variando de bom para “alguém aqui teve sorte de conseguir um contrato de publicação”. Um dos mais fascinantes livros sobre mangá que já li foi “Como Desenhar Mangá: Compilação de Personagens”, o que é basicamente uma tradução pobre e brega de um livro sobre como desenhar mangá mainstream, ao estilo final dos anos 90. Não é muito bom, mas quando o li muitos anos atrás foi um dos primeiros livros sobre mangá que eu havia visto, além de “Mangá! Mangá!” e “Dreamland Japan” (Frederik Schodt). Foi como um relâmpago me acertando. Frederik Schodt, o Johnny Appleseed do mangá no Ocidente, me mostrou o lado bom do mangá, esforçando-se para convencer-me de que era algo artístico e ousado, experimental e corajoso. “Como Desenhar Mangá: Compilação de Personagens”, um livro escrito em japonês para uma audiência japonesa, me mostrou que na realidade, mangá era sobre traçar fotografias, desenhar personagens bonitinhas, e assim vender mais mercadorias e elevar seu nível cliché até o nível 9000.

A maior paródia de livros como esse, e do fenômeno “Vamos desenhar mangá e nos tornamos celebridades”, é Saru Demo Kakeru Manga Kyoushitsu (“Até um macaco pode desenhar mangá”) de Kouji Aihara e Kentarou Takekuma. Publicado originalmente em 1990, impressionantemente é válido ainda para os dias de hoje, apesar da contração da indústria de mangá desde então e as mudanças radicais nos estilos, o que faz a arte de Aihara parecer incrivelmente crua e antiquada. (Felizmente, ou talvez infelizmente, a arte rígida de Aihara sempre foi concebida para ser feia. Se faz seus olhos enrolarem ao olhar pra ela, apenas convença-se de que é boa e engula-a). Até um Macaco Pode Desenhar Mangá já foi bastante glorificado internet a fora, não sou a primeira pessoa a escrever sobre isso. Foi publicada uma versão ocidental pela Viz na PULP Magazine, como um tipo de projeto dos sonhos que os editores japoneses da PULP vinham querendo publicar há bastante tempo, embora a edição inglesa deva seu sabor à tradução e edição de Yuji Oniki e Alvin Lu. A edição da Viz é bem produzida, apesar de alguns trocadilhos japoneses serem quase impossíveis de se traduzir. A história é sobre dois caras que querem se tornar mangakás. Veja eles com suas boinas – é assim que você sabe que eles estão falando sério!

A história é sobre dois aspirantes a autores de mangá, que discutem seus planos de se tornarem bilionários e conquistarem o mundo através do mangá, e seus planos para fazerem isso, na forma de uma série de conselhos do personagem professor ao jovem determinado. Decidindo seguir a famosa máxima de Anatole France “Se você encontrar algo escrito, e estiver bem escrito, não hesite.”, a maioria dos capítulos debruça sobre algum arquétipo/clichê específico do mangá em geral ou sobre um gênero em específico, como shounens de batalhas, mistérios, shoujos, mangás sobre mahjong, etc. Os personagens são umas figuras, pra dizer o mínimo. Uma das sátiras mais engraçadas que já li, é como combinar a ultrajância de Furuya Minoru (Boku to Issho), com o tom sombrio de Gekiga Hyouryuu, exceto quando o personagem principal tem náuseas quanto à integridade artística de seu trabalho VS a lealdade a seus amigos e auxiliares, e é mostrado preso à depressão numa longa e estrelada noite, e você o vê excretando alguma coisa, o que acaba com toda a seriedade do trabalho… Além disso, o fato de que o que eles discutiam sobre os anos 80 ser mais do que perfeitamente válido hoje pode te deixar levemente furioso contra as berrantes, guturalmente ridículas, cópias das cópias que dominam o panorama cultural, devoradas por zangões desatentos, etc, etc. Realmente, as únicas duas coisas que eles não cravam completamente em grande estilo e com economia de expressão são a explosão do “Moe” e a “desconstrução ansiosa”, e para isso você pode consultar os últimos dois livros mencionados na introdução.

A arte, boa a seu próprio método, incluindo as faces histéricas/constipadas, frequentemente lidando com algum tipo de excreção ou zona erógena (ou com o SONHO dos personagens), alcança uma elevada conexão especial com a história de duas formas. Primeiro, enquanto ataca brutalmente um aspecto específico da indústria, o mangá canibaliza o estilo artístico prevalecente do nicho em questão com uma estética Spinal Tap, usando as terceiras melhores expressões faciais que já vi em um mangá (depois de Boku to Issho e Otokojuku). Mais importante que isso (exatamente o que me levou a conhecer este mangá) são as abrangentes páginas infográficas com citações de fonte que fornecem um maior entendimento. Seja examinando os enredos de mangás shounen (é tudo sobre LUTAS), ou debruçando sobre o complexo mercado do entretenimento infantil (é a mãe que compra), são todos quadros importantes e intemporais de uma análise cultural agressiva e introspectiva que devem fazer parte do currículo de todo especialista em Humanidades que se preze.

Até um Macaco Pode Desenhar Mangá é uma paródia que apela bastante para a comédia. Logo na primeira página, vemos o artista, o próprio Kentarou Takekuma, fazendo uma pausa nos desenhos para ler um pouco de mangá, pra variar. Ele pega um mangá e começa a lê-lo – na edição de 2002 da Viz ele está lendo Oh My Goddess! – e vapor começa a sair de suas orelhas. “Não acredito na porcaria que as pessoas leem hoje em dia! Desse jeito, a cultura do mangá está condenada!” Determinado a salvar o mundo dos mangás de si mesmo, ele chama seu amigo Aihara e eles fazem um voto de fazer bons mangás para evitar o colapso da civilização, e torná-los milionários!

E assim começa. Cada capítulo de “Até um Macaco Pode Desenhar Mangá” cobre um aspecto diferente de desenho de mangá, desde o básico (desenhando as bordas dos painéis) até o complexo (desenhando mangás 4-koma, que são engraçados, mas não muito engraçados). Aihara, o artista, é um acéfalo (na história), e Takekuma, o escritor, vive zangando-se com ele ao estilo de uma dupla de comédia Manzai. Em painéis exagerados, cheios de gritos, sangramento, speedlines, Takekuma mostra a Aihara o básico de como criar um mangá de sucesso comercial. Os títulos dos capítulos definem bem o que é retratado na obra:

Lição 1: Escolhendo um pseudônimo
Lição 2: Desenhando as bordas
Lição 3: Desenhando expressões faciais
Lição 4: Desenhando o esqueleto
Lição 5: Como sempre ter ideias
Lição 6: Como criar histórias
Lição 7: Arrogância Juvenil
Lição 8: Como desenhar mangá shounen
Lição 9: Como desenhar mangá shoujo
Lição 10: Como desenhar mangá seinen
Lição 11: Como desenhar ladies’ comics
Lição 12: Como desenhar 4-komas
Lição 13: Como desenhar mangás infantis
Lição 14: Como desenhar mangás de executivos
Lição 15: Como desenhar mangá sobre mahjong
Lição 16: Como desenhar gag mangás
Lição 17: Como desenhar mangás psíquicos
Lição 18: Como desenhar mangás publicitários
Lição 19: Mangá popular: As possibilidades
Lição 20: Técnica especial: mensagens subliminares
Lição 21: Como enviar seu trabalho para as revistas

A seção de como desenhar diferentes tipos de mangá são o melhor do livro, e incluem grandes imitações de diferentes estilos artísticos. Como Takekuma aponta, mangás shounen são todos sobre lutas; o truque é tomar cuidado com a “inflação de poder”, para que os vilões não fiquem tão fortes muito rápido a ponto de o mangá se tornar ridículo. Também é importante mostrar o herói treinando duro; por exemplo, correndo numa esteira a 100km/h, calçando botas de ferro, perseguido por uma serra-elétrica e com crocodilos famintos aguardando que ele caia. Há também o elemento da amizade – não se esqueça de que todo herói precisa de um “quatro-olhos”, um sócio fracote que vive falando sobre o quão legal o herói é, como Manta em Shaman King ou Rouji em Muhyo e Rouji! (Takekuma: “Se a relação entre o herói e o rival é notoriamente homossexual, então a homossexualidade do quatro-olhos é latente.”). Quanto aos mangás shoujo, Takekuma nos lembra que “a simpática heroína de um verdadeiro e popular mangá shoujo deve ser… ATRAPALHADA!” e então começa a falar sobre quais tipos de caras são populares em mangás shoujo. “A esta altura, o príncipe já está bastante obliterado e o interesse amoroso passa a ser o tipo delinquente. Em sintonia com os tempos, as expectativas celestiais em mangás shoujo caíram por terra – a ponto de o cara mais desejável ser um total perdedor.”

Que outros tipos de mangá existem? Bem, há o mangá seinen – mangás para jovens adultos – bastante tipificado como erocom, ou comédia erótica, que Takekuma visualiza como um tipo de restaurante que serve sushi em esteira onde mulheres atraentes vivem dando em cima do personagem principal, uma após a outra, até que ele finalmente acaba ficando com a garota perfeita. Em 2002 já havia mangás seinen, shounen e shoujo disponíveis no Ocidente, mas algo que ainda não tínhamos visto eram as “ladies’ comics”, mangás sexuais para mulheres ao estilo Harlequin e LuvLuv. Takekuma resume a diferença entre ladies’ comics e seinens em uma sentença: “Em ‘erocom’, o mangá termina com amor, mas em ladies’ comics, ele começa com isso! Contanto que você inclua todo esse papo de amor, você pode preencher o resto com pornografia.” A seção “Como desenhar mangá psíquico” explica que mangás psíquicos de ficção científica dos anos 80 (tipificados em minha mente por Silent Möbius de Kia Asamiya, embora apenas um personagem de Silent Möbius seja psíquico) são basicamente uma atualização dos mangás sobre ninjas, que não eram nada populares na época. (Interessante como os tempos mudaram). A diferença chave é que ninjas têm que treinar bastante para conquistarem seus poderes, enquanto que psíquicos não, tornando-os “ninjas que não requerem esforço”, o que é mais apelante para as modernas crianças preguiçosas. Oh, e quanto à arte: “O estilo de desenho de mangás antigos é bem incômodo pro pessoal metido de hoje em dia, não acha!? É, eu sei – se você desenhar coisas no popular “estilo anime”, você fará bastante sucesso! Quanto ao plano de fundo e acessórios, apenas plagie Katsuhiro Otomo e se alguém te acusar de copiá-lo, apenas responda com orgulho ‘Ah não, na verdade sou mais influenciado por Moebius'”. A seção “Como desenhar mangás de executivos” caracteriza uma longa paródia intitulada “Diário super-idiota de um executivo eternamente mediano” (uma combinação de Tsuri Baka Nisshi e Kachou Kousaku Shima), mostrando que os comics executivos mais populares não são sobre “super-executivos” que trabalham duro como Kousaku Shima, são sobre amáveis perdedores com hobbies fúteis, como Boku, Otaryman de Yoshitani.

Há outras grandes pitadas de conselho misturadas às paródias de gênero e fragmentos de mangás. Um capítulo lida com o uso de imagens sexuais subliminares para alavancar as vendas. Outro fala sobre como desenhar expressões faciais. (“Apenas adicionando símbolos de suor ou vapor você pode tornar objetos animados ou inanimados tristes ou zangados. Você deve acrescentar notações aos vasos de flores e telefones da sua casa. Isso pode gerar algumas risadas e salvar sua família da separação.”) Takekuma e Aihara rasgam suas próprias roupas para praticarem desenho de figura humana. Há uma piada corrente sobre Katsuya Shirai, o editor para o qual Aihara e Takekuma trabalhavam, cujo rosto de meia-idade aparece constantemente, como o rosto de J.R. “Bob” Dobbs.

Apesar de Até um Macaco Pode Desenhar Mangá ter sido publicado mais de vinte anos atrás, é incrível como ele continua tão atual. (Apesar da arte um pouco medonha). De uma perspectiva moderna, há apenas algumas lacunas, como a ausência de mangás yaoi, que ainda estava engatinhando na época. Outra lacuna é o doujinshi; Takekuma e Aihara claramente não vão gastar tempo nessas coisas autoindulgentes, o negócio deles é parodiar o grande mercado, o que gera dinheiro! (Não parece que os fãs estão tentando substituir o mercado em crise com o crescimento do comércio de doujinshis contra o encolhimento da indústria mainstream?). Em 2006, Takekuma e Aihara tentaram atualizar Até um Macaco Pode Desenhar Mangá desenhando alguns capítulos extras, incluindo uma seção para o moe. (A serialização da Ikki também incluiu fotos nuas vazadas de um grupo de 40-alguma-coisa artistas/escritores em páginas desdobráveis, numa paródia dos pôsteres de gravuras de ídolos geralmente incluídas em revistas de mangá. Sexy, não!?).

Alguns capítulos são mais memoráveis que outros. No capítulo “Arrogância Juvenil”, Takekuma explica o que fazer se você começar a ter a terrível noção de que mangá pode ser “arte”. (“Fique atento se seu filho aspirante a artista de mangá de sucesso começar a jurar fidelidade à “arte”. Lembre-se, arte é o câncer espiritual da adolescência.”). Quando Aihara explica que quer desenhar mangás com mais significado, Takekuma perde a cabeça e começa a espancá-lo sem piedade. “Arte!? ARTE!?” – ele grita. 1990, quando Até um Macaco Pode Desenhar Mangá foi lançado, estava perto do auge da indústria japonesa de mangás, mas algumas pessoas achavam que os mangás já estavam vendendo sua alma. Manga Zombie de Takeo Udagawa (1998) decompôs a diferença entre os mangás pré-anos 80 e pós-anos 80 em uma coisa: antes dos anos 80, os mangás eram conduzidos pela história, mas depois passaram a ser conduzidos pelos personagens. Claro, a história é feita pelos personagens, mas a diferença está entre histórias onde os personagens crescem e mudam, e histórias onde os personagens são desenhados primariamente para serem legais e vendáveis, histórias onde os personagens são sempre o mesmo (desculpem, fãs de shounen, o personagem simplesmente ficar mais forte não conta como mudança). Ou, como Takekuma aponta no capítulo sobre mangás infantis, “Se você conseguir criar um mangá infantil que faça sucesso, você poderá ganhar muita grana com os produtos de personagens. De fato, a renda complementar dos produtos pode superar até o que você ganhará com o mangá em si! Aí é só relaxar, sentar e esperar as taxas de licenciamento fluírem! Você irá rindo até o banco!”

O discurso de Takekuma também é relevante pelo motivo de que a Viz nunca traduziu o volume 2 de Até um Macaco Pode Desenhar Mangá. Apenas o primeiro volume (fragmentado) foi lançado em inglês, talvez pelo maçante trabalho de tradução. Mas outra razão provável foi que, em 2002, a PULP Magazine estava acabando e um mangá vanguardista como Até um Macaco Pode Desenhar Mangá não estava vendendo como esperado. Dá quase pra ouvir os futuros-ex-editores da PULP expressando seu cinismo através da boca dos personagens; o futuro do mangá consistia de mangás infantis de merchandising de personagens como Pokemon, Shounen Jump e afins.

Mas isso foi há mais de uma década atrás, e agora o mercado está um pouco diferente. Até um Macaco Pode Desenhar Mangá teria um outro retorno no Ocidente hoje. Já até lançaram uma sequência no Japão, então por que não? Há vários mangás novos sobre ser mangaká, e muitos são bons, mas eu adoraria ler o resto do trabalho de Takekuma e Aihara. Eles dizem pra todos ouvirem coisas que os criadores de Bakuman apenas pensam.

Uma cópia desta obra merece seu lugar entre One Dimensional Man e os light novels de Haruhi Suzumiya numa estante de mogno.

“A economia da oferta e demanda produziu um crescimento exponencial da expressão íntima, e a exibição de calcinhas tornou-se onipresente.”
-Takekuma-sensei

Fontes: Anime News Network, Baka Updates, My Anime List.

(OBS.: Esta versão que estou lançando aqui é a versão fasciculada publicada pela Viz Media, ou seja, não é a versão original integral. A versão original possui 38 aulas teóricas, 24 aulas práticas, 5 lições sobre edição + extras; enquanto que a versão da Viz Media (que usei para traduzir) consiste apenas de 21 lições selecionadas do primeiro de três encadernados. Infelizmente, não tenho como traduzir todos os três volumes originais, portanto ficaremos apenas com esse volume compacto da Viz Media.)

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